26.6.05

Sala de estar

O carro de luxo passou por uma favela e entrou em uma garagem escondida. Ela estava naquele carro por acaso, ao lado de uma mulher e dois homens. As mulheres foram encaminadas à área de serviço da casa. Os homens foram direto para a sala de estar, onde havia uma festa. Elas não sabiam o que fazer ali, na área de serviço, entre os criados. Suas roupas eram simples, então os criados trouxeram algumas jóias para incrementá-las. Os homens apareceram para buscá-las, só assim elas puderam ter acesso à grande festa.

18.6.05

No meio da avenida

Contemplava o quintal da casa da avó com outros olhos. O cenário que antes parecia assustador agora não passava de escuridão inofensiva. Mas a tranqüilidade daquele olhar logo foi interrompida por uma rajada de raios e trovões. Uma grande onda de energia iluminou todo o céu. Em poucos minutos, os estrondos se aproximaram. Correu para a varanda da casa, onde pessoas pediam abrigo. Deixou-as entrar, mas sua mãe insistia em ficar lá fora, ela queria conferir o que estava acontecendo no meio da avenida. Um raio atingira um automóvel, havia um casal, morto. Apareceu o filho deles. O menino cavou duas covas ali mesmo, no meio da avenida, e enterrou os pais, sem derramar uma lágrima.

16.6.05

Emergência?

O elevador não passava confiança. Rangia, tremia, descia estranho. Entre um andar e outro, a porta se abriu, depois a máquina entrou em queda livre. Somente quando chegou no subsolo do prédio, ela resolveu apertar o botão de emergência.

Na pele

Tinha manchas brancas por toda a perna. Por que teriam surgido ali? Já não bastavam as do rosto, nos cantos da boca? Indignou-se, mas procurou se acalmar, nada podia fazer, a não ser ficar tranqüila! No fim das contas, seria bom colocar todas aquelas manchas para fora.

8.6.05

Ferida









Tudo bem, era uma parede velha e mofada... Mas à medida que ele descascava as camadas de tinta, ela ficava cada vez mais aflita. Dizia: "não faça isso!". Ele não parava, sua unha atingia uma camada após a outra.