18.6.05

No meio da avenida

Contemplava o quintal da casa da avó com outros olhos. O cenário que antes parecia assustador agora não passava de escuridão inofensiva. Mas a tranqüilidade daquele olhar logo foi interrompida por uma rajada de raios e trovões. Uma grande onda de energia iluminou todo o céu. Em poucos minutos, os estrondos se aproximaram. Correu para a varanda da casa, onde pessoas pediam abrigo. Deixou-as entrar, mas sua mãe insistia em ficar lá fora, ela queria conferir o que estava acontecendo no meio da avenida. Um raio atingira um automóvel, havia um casal, morto. Apareceu o filho deles. O menino cavou duas covas ali mesmo, no meio da avenida, e enterrou os pais, sem derramar uma lágrima.

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