26.10.06

Intertextos

Estava lendo a definição da palavra "sonho":

"so.nho sm (lat somniu) 1. Imaginação sem fundamento, seqüência de idéias vãs e incoerentes, às quais o espírito se entrega; devaneio, fantasia, ilusão, utopia."

... e me recordei da passagem de um livro:

"Chamou-a Utopia, palavra grega cujo significado é não existe tal lugar" (Quevedo, citado por BORGES, Jorge Luis. "Utopia de um homem que está cansado". In O Livro de Areia. São Paulo: Globo, 2001).

24.10.06

O céu que nos envolve

Por Ulisses Capozzoli

Lembra-se de alguma vez ter acordado pela manhã e observado um raio de Sol perfurando uma fresta da janela e mostrando um vórtice de poeira em movimento, como um minúsculo tornado? Pois as estrelas da Galáxia se parecem um pouco com esta imagem quase onírica de uma manhã despertada no campo, com algum tempo para refletir sobre a vida, sem ter de se levantar, engolir rapidamente o café de manhã e correr para o trabalho.

Não olhamos mais para o céu, tampouco temos um tempo mínimo para refletir sobre o sentido da vida, e assim deixamos de fazer descobertas que podem mudar profundamente nossos pontos de vista. Podemos passar a vida inteira sem nenhuma dessas experiências, o que não deixa de ser surpreendente, afinal, o céu nos envolve por todos os lados.

Relações entre pessoas, observações e descobertas são sempre fascinantes, e aqui vamos considerar apenas mais uma delas para sugerir a importância de observar o céu para a compreensão dos mistérios da vida. Neste caso, a relação é a seguinte: boa parte da água disponível na Terra foi trazida por cometas (montanhas de gelo sujo que circulam pelo Sistema Solar).

Se você considerar que 60% da massa de seu corpo é formada por água, deduzirá sem dificuldade que parte de seu corpo já foi cometa no passado. Surpreendente? Claro. Surpreendente mas real como o dia que nasce. Assim, quando ouvir alguém dizer que somos poeira de estrelas, não duvide. É poético, mas também é real.

Ulisses Capozzoli, editor de Astronomy Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo.

Leia aqui o artigo completo.

20.10.06

Poesia preferida 3

tem dias em que não quero
ser gente nem bicho
ter vontade ou orgulho
preguiça ou capricho
tem dias em que só quero
sentar e ficar sozinha
ver o vento me levar
qual folha bem sequinha.

de Maria Cristina (minha mãe)

Poesia preferida 2

no quarto,
a voz áspera rouca e sensual
de Janis Joplin
voz áspera de vidro e metal
que escorre pelas paredes
deixando para trás mel e fel.
na noite fria,
procuro a saída.

de Ana Maria (minha avó)

Poesia preferida 1

nunca mais vi o sol
dourando minhas manhãs
é que chega a maturidade
e pela ordem natural das coisas
tenho de colorir os meus poentes.

de Maria Cristina (minha mãe!)

3.10.06

Como eu me vejo

Minha mãe sempre disse que um dia me veria em cima de um foguete, fazendo a cobertura jornalística de alguma guerra por aí. Bom, não cheguei a tanto, e nem quero presenciar mais uma guerra no mundo. Mas pelo menos posso voar...



















(Valeu a dica, Paulinho, este desenho é muito bom!)