3.10.06

Clara tem um plano

Clara foi até o quintal para pegar mais água. Chamou-lhe atenção a luz acesa na casinha dos fundos, uma espécie de depósito de coisas velhas, que a desconcentrou de sua atividade de limpeza. Sentia uma forte atração, um desejo incontrolável de apagar aquela luz esquecida.

Abandonou o balde e foi até a casinha, de onde saiu uma menina estranha e descabelada, que conduziu Clara ao interior da habitação. A menina correu até o colo de um homem, igualmente estranho, sentando em uma poltrona de couro branco.

Para fingir que não sentia medo, Clara tentou uma aproximação. Inclusive perguntou ao velho se poderia fechar a porta, com a desculpa que ventava forte. Ele se levantou e disse: “Não, aqui mando eu!”.

Clara tentou controlar o seu pavor quando o homem se aproximou dela, rapidamente. Puxando-a pelo braço, ele sussurrou em seu ouvido: “Eu sempre morei aqui e você nunca percebeu. Sou seu verdadeiro pai.”

Ela já não prestava atenção em seu medo, agora estava absorvida por pensamentos mil. Quando despertou daquele devaneio, sua cabeça havia traçado um plano perfeito, e aquele estranho que se dizia seu pai poderia ser um grande aliado.

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