25.10.06

O jogo das cores

Clara adormeceu e sonhou.

Sonhou que jogava o jogo das cores com suas amigas, e o condutor, aquele que daria as cartas, era nada menos que o homem mais bonito do mundo.

Clara percebeu que, se tivesse sucesso no jogo, poderia fugir dali com o moço. Então ficou atenta às perguntas lançadas às jogadoras. “Será que o amarelo que eu vejo é igual ao que você vê?”

A cada ponto ganho, as jogadoras iam pintando um pedacinho de suas respectivas grades de pontos, desenhadas na parede do salão de jogos, em forma de mandalas.

Para surpresa de Clara, aquilo tudo foi se transformando em um jogo de sedução. Ela estava perdida, apaixonara-se pelo homem bonito que, adormecido de cansaço, havia deixado os dados rolarem descontroladamente.

Clara abstraiu as companheiras, as cartas e os dados para somente admirar o homem em seu sono. Deitou-se ao seu lado, queria muito beijar a sua boca, a começar pelo lábio inferior, que a atraiu de modo especial.

Imaginou-se sozinha com ele e o momento do beijo, que seria tão intenso a ponto de levá-los para longe de tudo. Porém, nada disso aconteceu.

Quando o homem despertou, Clara fingia que dormia. Suas amigas já estavam para lá de cansadas, então o moço começou a se despedir de todas, porque no fundo aquele jogo foi aborrecedor.

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