15.4.08

Bom dia!

sei que você está cansado
que você está gripado
que você está estressado
mas isso não justifica
uma vida de lamúrias e lamentações

uma hora é porque perdeu o trem
outra é porque não está apaixonado
definitivamente
seu problema é de mentira
e é todo seu

se é que vale de alguma coisa
digo que eu,
cá com minhas angústias,
logo tenho procurado
ficar em paz

é assim, rápido,
a crise vai embora
de um dia para o outro
porque tem tanta gente aí
com problemas de verdade

1.4.08

Uma história para deletar

De volta a casa, Clara manteve-se concentrada em suas reflexões. Resolveu que tomaria uma atitude e procuraria sua amiga Deni, que não via há muito tempo.

Em um impulso, Clara sacou o telefone. Deni atendeu desconfiada, como se não acreditasse que fosse Clara. Ou sei lá se não estava querendo evitar a ligação. Clara fez questão de se identificar, para quebrar o gelo, apesar de saber que Deni reconheceria de longe o seu jeito de falar.

"Oi, tô ligando porque a gente nunca mais se viu, e eu ainda nem conheci seu filho... Como ele está? A gente precisa se ver, vamos marcar?".

Foi então acolhida pela voz falsamente animada de Deni, que, em um impulso, marcou o encontro naquele dia mesmo, porque no fim de semana teria outros compromissos.

"Será que vou incomodar?" Clara estava convencida disso, mas precisava testar se ainda havia um resquício de amizade naquela relação.

Chegou à casa de Deni na hora marcadíssima, mas passou um tempo na padaria da esquina para não parecer ansiosa. Quando resolveu tocar o interfone, seu dedo indicador tremia. Deu-se conta de que isso não acontecia apenas quando estava apaixonada.

O prédio tinha três andares, Clara subiu os três lances de escada respirando fundo. Deni esperava com a porta aberta, e Clara não teve tempo de se recuperar da falta de ar. Abraçou a amiga daquele jeito, com o coração disparado.

Deni foi calorosa, porém não sabia bem o que dizer, falava de forma desencontrada. Clara limitou-se a ouvi-la enquanto direcionava-se para a criança, cacheada e compenetrada. Mexeu nos caracóis do menino e se sentou ao seu lado, para conseguir olhar Deni de frente.

O olho de Deni estava vermelho, teria ela usado alguma droga? Estava tão estranha, distante... Gesticulava demasiadamente, olhava para a criança, depois para a varanda, e quando alguma coisa distraía sua atenção, ela parava de falar e mudava de assunto sem mais por quê.

Clara também não sabia o que falar, pois tudo que dissesse soaria desinteressante naquele contexto. Depois de meia hora, decidiu partir. Deixou a porta de Deni para trás, completamente desmemoriada.