22.10.08

Estranhamente imóvel

Gente, mas que loucura toda é esta? Alguém aqui pode me explicar? Aliás não, não, melhor não! Prefiro vaquinhas no pasto a investir no mercado de capitais. E esta pérola faz-me sentir mais normal:

"A economia de Nova Iorque e de outros importantes centros financeiros foi ameaçada pela rápida queda do volume negociado. Mas o resto do mundo permaneceu estranhamente imóvel." (David Harvey)

Por quê?

Já aconteceu de pensar em algo e, logo depois, ler alguma coisa a respeito do que pensou? Na carroceria de um caminhão, em um outdoor ou em um jornal velho? Pois foi o que aconteceu com Clara.

Naquele dia de manhãzinha, a caminho para a aula, perguntava-se ela por que os dias estavam passando tão depressa. E não é que o professor pediu a leitura de um texto sobre o assunto? O autor, David Harvey, falava assim:

"Tem havido várias respostas à ação da compressão do tempo-espaço. A primeira linha de defesa é a fuga para um tipo de silêncio exaurido, blasé ou encouraçado (...). A segunda reação equivale a uma negação voluntariosa da complexidade do mundo (...). A terceira resposta (...) é uma tentativa de extrair ao menos um mundo aprrensível da infinidade de mundos possíveis que nos são mostrados diariamente na tela da televisão. (...) A quarta resposta tem sido tentar montar no tigre da compressão do tempo-espaço mediante a construção de uma linguagem e de imagens capazes de espelhá-la e, quem sabe, dominá-la."

Clara começou a pesquisar sobre o assunto, e encontrou um texto interessante na internet. Mas continuou sem a sua resposta.

14.10.08

Minha grande dúvida atual

Por que será que as pessoas são tão apegadas? Algumas ao corpo, outras às roupas, outras às suas atividades e obras diárias? Outras ainda, como eu, apegadas aos outros e aos sentimentos? E aquelas, coitadas, que não se descolam da razão? Se, no fim de tudo, restará apenas pó?

Sobre o Trabalho

Clara passou a tarde lendo, lendo... coisas sobre psicologia e trabalho, de Christine Revuz. Anotou em seu diário algumas idéias que lhe chamaram a atenção:

“O homem, ser de necessidade, mas também de desejo, busca um equilíbrio precário em sua vida psíquica através de objetos como o trabalho, suscetíveis de apaziguar suas contradições.”

"Quando a gente encontra as pessoas, de imediato lhes perguntamos: 'e você, o que é que faz da vida?' Neste momento, que resposta podemos dar? Podemos assumir a resposta que corresponde ao trabalho que fazemos?"

"Será que no desejo de meus pais eu sou uma pessoa de bem se digo: 'sou técnico na Rolex' ou isso não vai ser bem visto, de jeito nenhum?"

"O que faz com que meu vizinho, na montanha, no silêncio, passe todos os dias sozinho a fabricar cerâmicas? É uma escolha. O que acontece quando ele maneja a terra, o que faz com que, no caso dele, possa encontrar plenitude naquela atividade, e isso após ter tido uma formação em Altos Estudos Comerciais? É enigmático."

“O trabalho permite as operações psíquicas ligadas ao estatuto de adulto: o acesso a autonomia material; o reconhecimento pelo que se faz; a participação na construção de um viver junto.”

“...se fabrica a sociedade pela maneira de se trabalhar, pela maneira de dar o troco, de acolher os doentes, de atender o telefone, a gente está sempre criando o mundo.”