14.10.08

Sobre o Trabalho

Clara passou a tarde lendo, lendo... coisas sobre psicologia e trabalho, de Christine Revuz. Anotou em seu diário algumas idéias que lhe chamaram a atenção:

“O homem, ser de necessidade, mas também de desejo, busca um equilíbrio precário em sua vida psíquica através de objetos como o trabalho, suscetíveis de apaziguar suas contradições.”

"Quando a gente encontra as pessoas, de imediato lhes perguntamos: 'e você, o que é que faz da vida?' Neste momento, que resposta podemos dar? Podemos assumir a resposta que corresponde ao trabalho que fazemos?"

"Será que no desejo de meus pais eu sou uma pessoa de bem se digo: 'sou técnico na Rolex' ou isso não vai ser bem visto, de jeito nenhum?"

"O que faz com que meu vizinho, na montanha, no silêncio, passe todos os dias sozinho a fabricar cerâmicas? É uma escolha. O que acontece quando ele maneja a terra, o que faz com que, no caso dele, possa encontrar plenitude naquela atividade, e isso após ter tido uma formação em Altos Estudos Comerciais? É enigmático."

“O trabalho permite as operações psíquicas ligadas ao estatuto de adulto: o acesso a autonomia material; o reconhecimento pelo que se faz; a participação na construção de um viver junto.”

“...se fabrica a sociedade pela maneira de se trabalhar, pela maneira de dar o troco, de acolher os doentes, de atender o telefone, a gente está sempre criando o mundo.”

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