26.2.09

Dormindo com um vampiro

Adriana trabalha do meu lado. Ela é a primeira personagem do “Leitor insone”, porque foi a história dela que me fez criar esta seção.

Tudo começou assim: durante dois dias seguidos, Adriana apareceu-me com os olhos vermelhos e inchados, quase uma vampira. E não é que tinha a ver com vampiros a sua expressão? É que essa moça apressada perdera as últimas noites lendo, lendo, lendo, um único livro de 400 páginas.

Refiro-me ao “Crepúsculo” (Twilight), de Stephenie Meyer, que inspirou o filme de mesmo nome, em cartaz nos cinemas, e uma série de TV nos EUA. Como se não bastasse terminar o primeiro livro da coleção (Twilight Series), Adriana ainda comprou os próximos, New Moon, Eclipse e Breaking Dawn. E passou mais algumas noites em companhia deles.

O que tanto atraiu Adriana desse jeito assim, que não largava a leitura? Preciso considerar que minha vizinha de mesa é uma figura um tanto agitada, fala rapidinho, se interessa por tudo que lhe deixem na mão ou que lhe contem (e sempre dá sua opinião sobre o que lhe contam, vale dizer). Era de se esperar que, durante a noite, ela não fosse diferente.

Vamos dizer que seus sonhos noturnos foram seguidamente traídos por uma espécie de sonambulismo literário, ou posso até chamar de meditação. Afinal, o que é a meditação, senão a arte de focar o pensamento? E não era isso que Adriana estava fazendo? Uma pessoa que conversa consigo mesma deve pensar bastante, então imagina quanto pensamento ela tinha que deixar de lado para se concentrar somente nos livros!

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Aliás, que história é essa, tão interessante para Adriana? Conta ela que é uma fábula de amor entre um vampiro e uma humana. “Você pode dizer que é água com açúcar, mas o interessante é a forma como a autora escreve sobre a impossibilidade de um amor”, defende Adriana. Vale dizer que toda a história é contada pela mocinha apaixonada, mas a autora já está providenciando um quinto livro, desta vez sob o ponto-de-vista do vampiro.

Adriana explica que os livros da série reconstroem o mito do vampiro, pois nessa saga ele não morre por qualquer coisa. A luz do sol, por exemplo, não é mortal, apenas reforça a cor reluzente da pele dos vampiros. E é óbvio que eles não querem ser percebidos no meio da multidão, por isso fogem dela como o diabo da cruz.

Bom, acho o Drácula de Bram Stocker charmosíssimo, então tendo a negar todas as outras espécies de vampiros... Mas confesso que Adriana despertou meu interesse pelos livros de Meyer, sem eu nunca ter lido nem a orelha deles.

+ Drácula de Bram, só para relembrar.

20.2.09

Leitor insone

Segundo o escritor irlandês James Joyce, o "leitor ideal" é aquele que sofre de uma "insônia ideal". Mais tarde, o italiano Umberto Eco completou: o leitor ideal, ou "leitor-modelo", é aquele que o autor tem em mente quando escreve. Tudo isso para dizer que o leitor é o personagem principal desta nossa coluna.

Vale mais esta explicação: amamos leitores que trocam o sono por uma boa leitura, ou que fazem do sonho sua forma de ler o mundo. Porém, não buscamos aqui o "leitor ideal", que interpreta tudo exatamente como o autor planeja. Os próprios escritores sabem que o leitor é um bichinho cheio de personalidade, faz o que quer e bem entende do texto. Bom, não? Afinal, que monótono seria se todo mundo pensasse igual!

Então vamos falar aqui de outra espécie de leitor, apresentado por Eco como o "leitor-empírico". Explica ele, em seu livro Seis passeios pelos bosques da ficção, que "os leitores empíricos podem ler de várias formas, e não existe lei que determine como devem ler, porque em geral utilizam o texto como um receptáculo de suas próprias paixões..."

Entendeu?

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  • Se sim, siga em frente com nossas histórias de leitores insones, apaixonados, fabulosos!

19.2.09

Clara Pálida quando jovem

A partir de agora, vou contar a história da infância de Clara. Quem sabe assim você entenda por que ela é o que é, aos 18 anos.

Você precisará ser bastante astuto, já que nem tudo na vida de uma pessoa tem uma explicação muito óbvia. O que posso garantir é que você vai saber por que seu apelido era Clara Pálida...

Sei que você não merece essa mudança temporal tão brusca na narrativa... Por isso, vou presenteá-lo com uma foto de Clara aos 16 anos. Foi o ano em que tudo mudou...