9.6.09

Sobre a ternura

Do filósofo colombiano Luis Carlos Restrepo, em "O Direito à Ternura":

“O que nos caracteriza e diferencia da inteligência artificial é a capacidade de emocionar-nos, de reconstruir o mundo e o conhecimento a partir dos laços afetivos que nos impactam.”

“Nós cidadãos ocidentais sofremos uma terrível deformação, um pavoroso empobrecimento histórico que nos levou a um nível jamais conhecido de analfabetismo afetivo. Sabemos do A, do B e do C; sabemos do 1, do 2 e do 8; sabemos somar, multiplicar e dividir, mas nada sabemos de nossa vida afetiva, razão pela qual continumaos exibindo grande entorpecimento em nossas relações com os outros, campo em que qualquer uma das culturas chamadas exóticas ou primitivas nos supera de longe.”

“... fazemos uma defesa exagerada da autonomia, entendida como não depender dos outros para não ver cortadas as nossas possibilidades de crescimento.”

“... continuamos destruindo a possibilidade de ternura para ver realizada as nossas ambições.”

“A caricia é uma figura que tem estrita relação com o uso do poder, podendo-se dizer que, enquanto o autoritarismo é um modelo político agarrador e ultrajante, a democracia é uma forma de carícia social onde nos abrimos à co-gestão e à práxis incerta, sem as quais é impossível construir uma verdade com o outro.”

“... os modelos hierarquicos se reproduzem nas atividades políticas e administrativas, tiranizando a vida diária.”

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