21.12.10

Uma história pra dormir, um segredo pra acordar


Neste post, que talvez seja o último do ano, sou eu mesma a personagem da coluna “Leitor Insone”. Porém, sou o contraponto, aquela que dorme, sem vergonha na cara, ao alcançar o terceiro parágrafo do livro de cabeceira. Basta a rua silenciar, que qualquer fonte de leitura, seja entediante ou visguenta, torna-se uma história de ninar em potencial .

Meu sono resiste menos ainda a um bom contador de histórias. Se és um bom contador, a história pode ser a tua, cotidiana, ou a de um livro, lido em voz alta... De qualquer jeito, me farás dormir. A menos que me contes um segredo = )

Quando eu dormir, não te sintas desprestigiado. Ao contrário, esse é um sinal de sucesso. Afinal, ao invés de que pensar tanta coisa, e nada entender, prefiro ouvir tua história e dormir e sonhar. Tua voz suave deslizará pelo ar, e essa é a sensação mais aconchegante do mundo. É como voltar ao útero materno.

Se eu mesma leio pra mim, às vezes persisto, chego a virar uma página, mas aí dá vontade de fazer uma grande traquinagem. Vou direto ao último parágrafo do livro. E leio mesmo. É que o fim não importa muito, eu acho.

Queres experimentar? Vê só o final de “O Mundo de Sofia”, que estou lendo vagarosamente pela terceira vez:

“- Um de nós vai ter de nadar até o barco.
- Vamos nós dois, papai.”

Aposto que não estraguei tua aventura, caso queiras ver “Sofia” do início ao fim. Porque cada parágrafo é uma canção, cada um com a sua revelação. E não é esse o prazer da leitura?

27.11.10

A menina que não sabia ler

Adoro quando me contam histórias. Naquela madrugada de setembro de 2010, ouvia atentamente uma história de Michelle. Se me permite, Michelle, vou recontá-la aqui. Para compartilhar com outras pessoas sua maravilhosa experiência como leitora.

Permissão dada, vamos lá: ainda bem pequena, Michelle não admitia que fosse incapaz de ler. Seu irmão trancava-se no banheiro, se quisesse ler qualquer coisa sem a intromissão da irmã. E a menininha ainda dizia para a mãe: “Você é professora, tem o dever de me ensinar”.

Lembrei-me dessa cena quando escolhi o livro “A menina que não sabia ler” para presenteá-la. Não se trata exatamente da mesma história, mas achei que Michelle pudesse gostar. Pois a leitura também é proibida a Florence, personagem do livro. Ainda que por motivos diferentes, Florence e a pequena Michelle devem compartilhar o mesmo sentimento, de quem deseja saciar sua curiosidade.

10.7.10

Superinteressante: o livro colaborativo de Bob

Acabo de abrir a Superinteressante de julho na página 41, e o que me aparece? Uma entrevista com Bob Stein, presidente do Instituto para o Futuro do Livro (EUA).

Aprovo sua ideia, de que o livro poderá virar uma espécie de fórum. Nesse modelo, cabe ao “autor” lançar tópicos, que serão discutidos pelos leitores para a criação da obra, de forma colaborativa.

Ok, já temos a Wikipedia. Mas vale conferir por que, para Bob, a escrita e a leitura não são atividades solitárias:

28.6.10

O que [estudar inglês] tem a ver com [a series of unfortunate events]?


Resolvi estudar Inglês. De novo... Sensação: todo o meu esforço para falar com fluência não foi suficiente. Shit! Listening, talking, conversation... Não sei mais o que fazer. Só sei que me recuso a voltar para a escolinha e encarar as provinhas on the table. Definitivamente, vou associar meu contato com o Inglês ao prazer... De ler um bom livro, for example.

7.6.10

Clara by Stela Mattos

Minha prima Stela (sim, a pequena Téo!) cria as historietas mais fofas que já eu vi. Para inspirá-la e motivá-la ainda mais no desenho (se é que ela precisa), enviei-lhe o livro "O Triste Fim do Menino Ostra", obra-prima do cineasta Tim Burton.

Admito que eu tinha segundas intenções. Esperta que só, ela percebeu. Bastou a gente se encontrar para que ela riscasse em poucos minutos uma Clara à la Burton. Simplesmente amei! Essa menina é demais.

E não para por aí. Tenho bem umas dez versões de Clara by Stela Mattos aqui comigo. Depois mostro as outras.

[Téo, tomei a liberdade de despentear Clara quando digitalizei a imagem, pois em algum momento vou escrever sobre esse detalhe.]

8.1.10

Sobre a felicidade

"Charles, portanto, era feliz, sem se importar com nada deste mundo. Uma refeição a dois, um passeio à tarde pela rua principal, um afago nos cabelos, a vista do seu chapéu de palha pendurado no fecho da janela e muitas outras coisas ainda, que ele jamais suspeitara pudesse dar prazer, formavam agora a continuidade do seu bem-estar."

Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Ilustração: