17.5.10

Imagem ou miragem?

Tia Néia era uma figura. Ou melhor, uma pintura. É que todos os dias ela pintava o rosto com tinta guache. “Volto a ser criança”. O que ela queria dizer com isso? Que a tinta rejuvenescia como um creme Pond’s? Ou tudo não passava de coisa de adulto saudoso da infância?

A tia contava que cada cor trazia um beneficio diferente para a pele. O vermelho era pra se apaixonar. O verde, pra encontrar uma solução. O amarelo, pra correr sem parar. E com o lilás, dormia-se que era uma beleza.


Quanta cor naquele dia, quanta informação. Pra onde quer que olhasse, Clara tinha a impressão de que um arco-íris a seguia. Encafifou-se com a miragem, da qual só se livrou quando dormiu.

Porém, no outro dia, aconteceria algo mais surpreendente. Clara foi ao parque com Tito, seu melhor amigo, para brincar de gude. Exaustos depois do jogo, deitaram na grama e olharam para o céu. Clara sentiu-se tonta. Fechou os olhos. Quando se recompôs, mirou o céu novamente e... Todas as nuvens estavam coloridas, em forma de flor, com pétalas matizadas de lilás, amarelo, verde, vermelho...

Tito não via nada disso, as nuvens estavam branquinhas pra ele. Mas como assim? Clara coçou os olhos, e nada. As nuvens em forma de flor continuavam a desfilar pelo céu. O amigo ouvia atentamente à narração que Clara fazia da cena. Mas, pra ele, aquela menina gostava de inventar uma história.

Clara levantou-se lentamente. Será que tudo não passava de uma enxaqueca? Convenceu Tito a levá-la para casa de olhos fechados. Afinal, se fosse pra ver a vida colorida daqui pra frente, que começasse em sua casa.

Um comentário:

paulinho disse...

Quem bom que você voltou. Às vezes não entendo muito (é esse meu cérebro de ogro, acredite, você não me conhece mais), mas eu sinto. E eu gosto.