27.11.10

A menina que não sabia ler

Adoro quando me contam histórias. Naquela madrugada de setembro de 2010, ouvia atentamente uma história de Michelle. Se me permite, Michelle, vou recontá-la aqui. Para compartilhar com outras pessoas sua maravilhosa experiência como leitora.

Permissão dada, vamos lá: ainda bem pequena, Michelle não admitia que fosse incapaz de ler. Seu irmão trancava-se no banheiro, se quisesse ler qualquer coisa sem a intromissão da irmã. E a menininha ainda dizia para a mãe: “Você é professora, tem o dever de me ensinar”.

Lembrei-me dessa cena quando escolhi o livro “A menina que não sabia ler” para presenteá-la. Não se trata exatamente da mesma história, mas achei que Michelle pudesse gostar. Pois a leitura também é proibida a Florence, personagem do livro. Ainda que por motivos diferentes, Florence e a pequena Michelle devem compartilhar o mesmo sentimento, de quem deseja saciar sua curiosidade.

21.11.10

Causa e efeito

Como você passa o tempo, quando falta o que fazer? Clara arranca os cabelos, sentada frente à TV. Nada vê, apenas se concentra em cada fio arrancado. Quase uma meditação, não fossem os efeitos catastróficos dessa rotina, que fizera sua cabeleira crescer desalinhadamente.

Parece que assim é, como tudo na vida: uma pequena pedra que jogamos no rio pode gerar ondas estrondosas na outra margem. Quando se deu conta disso, Clara resolveu fazer algo mais construtivo pra matar o tédio.

E foi assim que começou a regar plantas, diariamente. Boninas, cravos e margaridas tremiam ao toque das gotas d'água, enquanto Clara divagava sobre o seu destino.