23.9.12

[da Purificação] De como fazer autobullyng e ainda sair orgulhosa da brincadeira


Um dia recebi um e-mail com o título: “ata da reunião com a área da Purificação”. Não sabia o senhor remetente que “da Purificação” era apenas meu sobrenome. Achei engraçado, pois não era a primeira vez que rolava esse trocadalho.

Comecei a imaginar qual seria o escopo de trabalho de uma "área de Purificação" dentro de uma grande empresa. Listei algumas atividades ecumênicas, outras nem tanto:

.  Água benta na cabeça na galera, todas as manhãs, ao bater o cartão;
. Sessões de ioga e meditação no lugar da ginástica laboral;
. Capacitação para uso das mesas como bloco de notas. Sim, melhor que deixar recadinhos em postits e acumular tanto papel;
. Edição de conversas em tempo real, tornando as reuniões um pouco mais ágeis. Tipo: não precisa dizer “Aqui nesta mercearia vendem-se ovos de galinha”. Diga apenas “OVO”;
. Simplificação de processos (ah, isso inclui tantos pequenos milagres, que vale outro texto);
. E, o mais importante: integração das senhoras da limpeza aos analistas, consultores, gerentes e toda a cadeia alimentar.

Essa última atividade me fez lembrar da minha infância. Minha mãe cansou de dizer que eu devia virar presidente do SindiFaxi. Estava sempre com as faxineiras, ajudando na limpeza. Além de adorar varrer a casa e encher tudo de água, eu achava que elas trabalhavam demais!

Queria que o serviço acabasse logo, pra poder brincar com elas. Também defendia que elas sentassem à mesa e participassem das nossas festas de família. Afinal, Irene, Maria, Ci - todas elas - são nossas irmãs, tias, primas, cada uma à sua maneira. 

Ora bolas!

No fim das contas, teria um baita orgulho de fazer parte dessa área de Purificação J

Ci, eu, Ferni e Nau (todas irmãs)