1.1.13

Como mudar o mundo

Uma amiga me indicou a leitura dos livros da série The School of Life. Seu marido logo alertou que aquilo não passava de autoajuda. Ela defendeu: “É filosofia”.

Na contracapa, encontrei a explicação de um dos autores, Alan de Botton, que aliás tem sido bastante citado na mídia: “Numa época complexa e confusa, o livro de autoajuda implora para ser pensado e readaptado. The School of Life anuncia seu renascimento com uma série que reflete sobre grandes questões da vida, incluindo dinheiro, sanidade, trabalho, tecnologia e o desejo de mudar o mundo para melhor”.

Hum... Para embarcar nessa leitura, será que eu priorizaria essas questões na ordem acima? Dei uma olhadinha nos títulos para decidir:

“Como viver na era digital”
“Como pensar mais em sexo”
“Como se preocupar menos com dinheiro”
“Como manter a mente sã”
“Como encontrar o trabalho da sua vida”
“Como mudar o mundo”

Fiquei entediada logo de cara. Não que eu seja uma pessoa experiente, mas tenho a impressão de que certas coisas a gente aprende vivendo... Ou com a história de pessoas ou personagens. Então pulei logo para o último título - “Como Mudar o Mundo”, que me pareceu o desafio mais difícil.

Comprei o livro para ler nos últimos dias do ano, já que o mundo não acabou e eu estaria solitária em São Paulo até 30 de dezembro. No mínimo, seria uma leitura pertinente. E se o danado do livro fosse de autoajuda, pelo menos aprenderia algo sobre alguma coisa que não sei bem por onde começar. Meu medo era me deparar com aquele estilo de escrita norte-americano do tipo “10 passos para...”, cheio de receitas infalíveis.

E o livro fala de que mesmo?

O autor John-Paul Flintoff defende que podemos mudar o mundo com pequenas atitudes, e começando pela nossa própria vizinhança. Essas coisinhas, somadas, podem ser mais importantes do que atos homéricos. E se a gente puder usar nosso trabalho cotidiano para ajudar alguém, melhor ainda.

O livro passa informação, cita autores e fatos históricos, o que me parece diferente de um uma obra de autoajuda, quase sempre baseada em achismos.

Não digo que me surpreendeu, mas terminei o livro em dois dias e ele foi acalentador num contexto pós-quase-fim-de-mundo. Também confirmei meu gosto por leituras sobre a essência das coisas. Acredito que esse entendimento é útil para nossa vida prática.