3.3.13

[#voupramadri] Comida não é água


Deu no El País: uma pesquisa assinada por espanhóis reforça o quão saudável é a culinária mediterrânea. A autora do artigo, Elvira Lindo, descreve a comida mediterrânea como aquela que combina todos os alimentos, e por isso faz bem. Mas ressalta que a gastronomia espanhola está perdendo seu jeito de comida caseira, confiável e acolhedora, herança das avós.

A leitura caiu no meu colo exatamente no dia em que me recuperei de um passa mal sem fim. Mas confesso que boa parte da culpa foi minha, e não da comida. Explico:

Cheguei a Madri há menos de 20 dias e logo na primeira semana topei experimentar tudo o que me apareceria. A começar pela praça de alimentação mais próxima, o Autogrill. Chamou-me atenção o purê de batatas, excessivamente aguado. Até saber que o lugar é popularmente conhecido como “Autokill”. Já era tarde.

Dias depois, num restaurante “chino”, comi um frango xadrez, cheio de “pimienta” (pimentões) e “grasa” (gordura). E daí seguiu-se uma série de pequenos assassínios:

1. Na quinta-feira, para entrar no clima do fim de semana, comprei jamón (presunto) e vino rosado (vinho rosé). Na intenção de comemorar o preço da bebida, saboreei-os (espanhóis têm mania de usar pronome em todos os verbos - estou levando o aprendizado para o Português).

2. Na sexta, seguindo a compostura dos meus escudeiros de Madri, Rosi de Bem e Christian Zambra, contentei-me com um pequeno croissant de jamón.

3. No sábado, fui a um bar especializado em “setas” (cogumelos), onde se misturavam brasileiros, espanhóis, italianos, além de um marroquino, um romeno e uma japonesa. Claro que mergulhei num prato de champignons gigantes fritos com bacon (ou jamón, não sei bem). 

4. No domingo, não satisfeita, almocei num restaurante baiano. Sim, baiano, ao lado de brasileiros, espanhóis e uma chinesa. Pedi obviamente a moqueca de "gambas" (camarão) com vatapá. Pra que economizar dendê e leite de coco se os donos do rincón são meus conterrâneos?

E não acabou aí.

5. Na segunda, às dez da noite, destruí a porção “Destroyer” (isso não é uma redundância) do bar 100 Montaditos. Ou seja, pãezinhos recheados com salsicha, outros com presunto, outros com pastas diversas. Tudo regado com uma taça de “tinto de verano” (um espécie de chope com gosto de vinho). 

6. Sem contar que abri um pote de “natilla” (nosso danone) depois de uma dessas esbórnias, ao chegar em casa. O que você ainda não sabe é que era uma da manhã.

Resultado: a partir de terça feira, abateu-me um enjoo “infumable” (intragável), que só passou na sexta de madrugada, depois que botei os bofes para fora.

O que aprendi:

. Preciso comer mais vezes ao dia, como os espanhóis: antes de sair de casa + desayuno às 11h (o legítimo café da manhã espanhol) + almoço às 15h + merenda às 18h + cena só depois das 21h (caso queira jantar de verdade, como eles). Assim, não terei “ganas” de comer tudo de uma vez, como estava fazendo, antes de conhecer todos esses horários malucos.

. Levar comida de casa para o trabalho: eis a caseirice de que falávamos! Ou então escolher um site de comida natureba e pedir pra entregar no escritório (dica da Rosi de BEM).

. À noite... Ainda não consigo comer muito. Pois é, só aqui percebi o quanto eu tinha uma alimentação super light no Brasil. Também descobri que dormia muito cedo.

Depois de uns dois meses, dizem que a gente se adapta. Quando isso acontecer comigo, amigos, não me peçam parcimônia!

Um comentário:

Christian Zambra disse...

Pobrecita! Passou tão mal na chegada a Madrid!

Obrigado pela parte da compostura alimentar, mas te digo que perdi ela toda quando viajei, hehehe.

Aliàs, pra mim o segredo alimentar tem sido viajar. A comida das cidades do interior é boa e barata. E não é só pra tapear a fome, são pratos mesmo.

Melhoras, e vamos procurar coisas mais saudáveis nessa cidade!!!