30.4.13

Das coisas que me comovem


Uma grande amiga minha, daquelas que são como irmãs, escreveu um texto sobre minha personagem Clara Pálida. Digo que isso é o tipo de coisa que me comove porque, além de traduzir muito bem o que escrevi, ela mostra que leu os meus textos com muito carinho. Resumido, ela é a minha leitora ideal, como diria Umberto Eco. Ou seja, é aquela leitora que você imagina que vai entender tudo o que você escreveu, do jeito que você imaginou. Entendeu?

Eis o texto de Verônica Fraidenraich:

As maluquices de Clara

era uma vez uma menina sapeca, inquieta, 
que gostava de escrever contos,  
e questionar o mundo, as coisas, o cerumano.
ela transformava historias reais em ficção, 
e o que era chato, complicado ou sem graça, 
se tornava divertido, engraçado ou curioso.
ela viajava nas idéias, 
falava de cores, física quântica, alquimia, flores…
e sonhava – os sonhos são experiências que, muitas vezes, parecem mais reais que a vida imediata (explicou ela em um de seus textos). 
sonhava tanto que o sonho prometeu a ela se tornar realidade. 
"hace cuántos siglos que mi boca está saboreando este café y mis ojos mirando ese mar?", questionava clara.

um belo dia, ela decidiu que iria visitar um novo reino, sobre o qual havia lido nos contos que falavam de um cavaleiro muito sonhador e seu fiel escudeiro, um gordinho comilão. ela queria investigar melhor a história deles e, não sei bem porque, dizia existir uma relação com uma fechadura que ficava em outro reino vizinho. explico: a tal da fechadura pertencia a uma portão de bronze de um mosteiro da ordem dos cavaleiros de Malta. cavaleiros com cavaleiros, penso eu, devem ter alguma ligação…

então ela começou a planejar como faria para se transportar para lá.
desejava ver como era aquele povo,
o que conversavam na fila do café,
de que se alimentavam,
e, principalmente, se lá havia faxineiras.
tal ofício a fascinava. 
ela gostava de limpar e varrer e dizia que essas moças trabalhavam demais.
pois clara está indo – ela e sua cachola, cheia de pensamentos.
disse que lá eles se comunicam diferente,
mas, por precaução, enviará mensagens extrassensoriais.
o fim, não importa muito, ela diz.
mas a gente se importa com você.
hasta pronto muchacha!

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