8.4.16

Vamos falar sobre a Morte?

Todo mundo fala que as crianças devem ter cachorro ou gato só porque um dia eles morrem. Que lógica é essa desses adultos, hein? Depois entendi que é uma maneira da gente aprender a lidar com esse assunto. Mas minha mãe foi longe demais: me deu um livro que trata justamente da... Morte!

Sei que não é fácil falar disso. Aliás, eu nem penso nisso enquanto vivo. Mas, depois de ler o livro, a Morte não sai da minha cabeça! E, para completar, minha vozinha morreu no ano passado... Ainda estou triste, mas tenho que viver.

É muito ruim ver que tudo acaba um dia. Aí a gente começa a perguntar: para que viver, então? Estranho, né? Só que, na real, a gente simplesmente vive, vive, vive, até morrer...

Bom, vamos voltar ao livro, que se chama “O Oco da Avelã”. A história é baseada num conto popular escocês (eu li na contracapa, para quem quiser pesquisar). O personagem principal, Paul, é um menino que “mata” a Morte quando ela tenta se aproximar da sua mãe. Com isso ele causa um baita desequilíbrio no mundo, pois se a Morte não existe mais, nada morre, certo?

Você parou para pensar que tudo o que comemos é originado de seres vivos? Plantas, animais... Se eles não podem mais morrer, a gente não pode mais comer. Fica todo mundo “morrendo” de fome, ou melhor, “vivendo” de fome. Deve ser muito louco sentir fome a vida toda e nunca morrer.

Quando a mãe de Paul soube que ele aprisionou a Morte dentro de uma casca de avelã oca e a jogou ao mar, pediu para o filho reverter a situação. Afinal, o mundo estava todo maluco depois que ele fez isso.

O fim do livro eu não vou contar, mas garanto que não é triste. Serve de lição para quem ainda não aprendeu a encarar a dona Morte.

Mas sabe de uma? Acho que nunca vamos aprender!


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